Azul garante aporte bilionário e avança em plano para sair da recuperação judicial nos EUA

Azul garante aporte bilionário e avança em plano para sair da recuperação judicial nos EUA

Em meio ao processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, a Azul anunciou a captação de US$ 300 milhões — cerca de R$ 1,56 bilhão na cotação atual — como parte de sua estratégia de reestruturação financeira. O montante é considerado peça-chave para fortalecer o caixa da companhia e dar sustentação à etapa final do plano de reorganização.

Segundo comunicado da empresa, duas das maiores companhias aéreas norte-americanas, American Airlines e United Airlines, comprometeram-se a investir US$ 100 milhões cada, somando US$ 200 milhões. Os US$ 100 milhões restantes devem ser aportados por um grupo de credores da própria Azul, reforçando o movimento de capitalização.

A companhia destaca que os recursos são fundamentais para viabilizar sua saída do processo de recuperação judicial, iniciado com o objetivo de reequilibrar as finanças e reorganizar a estrutura de dívidas. A conclusão dessa etapa depende, entretanto, do cumprimento de uma série de condições, entre elas a aprovação por órgãos reguladores brasileiros e a realização de uma Oferta Pública de Ações (OPA).

A OPA é um mecanismo pelo qual a empresa disponibiliza ações ao mercado para captar recursos. Na prática, investidores passam a adquirir participações no capital social da companhia, contribuindo para sua capitalização e, ao mesmo tempo, tornando-se sócios do negócio. Para a Azul, essa operação é estratégica não apenas para ampliar a base de investidores, mas também para reduzir o peso do endividamento e fortalecer sua posição no setor aéreo.

O plano de reorganização prevê a captação de pelo menos US$ 850 milhões por meio da oferta de ações. Desse total, US$ 750 milhões seriam aportados por credores e US$ 100 milhões pela United Airlines. Com o novo anúncio, a empresa sinaliza avanço concreto na execução dessa meta.

A participação da United na Azul também foi ampliada recentemente, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Com o novo investimento, a companhia norte-americana aumentará sua fatia acionária de pouco mais de 2% para cerca de 8% do capital social da aérea brasileira, reforçando a parceria estratégica entre as empresas.

O movimento é acompanhado com atenção pelo mercado financeiro. As ações da Azul negociadas na B3 registraram valorização ao longo do dia, refletindo a percepção positiva dos investidores diante do reforço de capital e do apoio de grandes companhias internacionais. Por volta do meio da tarde, os papéis apresentavam alta superior a 3%, cotados a R$ 3,43.

Analistas avaliam que a entrada de recursos e o respaldo de gigantes do setor aéreo internacional representam um sinal de confiança na capacidade de recuperação da empresa brasileira. A Azul figura entre as três maiores companhias aéreas do país e desempenha papel relevante na conectividade regional, com forte presença em rotas domésticas e expansão internacional.

O desfecho do processo dependerá agora do cumprimento das etapas regulatórias e da consolidação da oferta pública. Caso o cronograma seja confirmado, a empresa poderá concluir a recuperação judicial com estrutura financeira mais robusta e perspectiva de retomada sustentável.

O anúncio marca um passo importante na tentativa de reequilibrar as contas e reposicionar a Azul no mercado, em um cenário de alta competitividade e desafios econômicos para o setor aéreo global.