Governo do Rio Intensifica Corte de Comissionados e Mais de 2,6 Mil Servidores Já Foram Exonerados

Governo do Rio Intensifica Corte de Comissionados e Mais de 2,6 Mil Servidores Já Foram Exonerados

O Governo do Estado do Rio de Janeiro segue avançando com um amplo processo de enxugamento da máquina pública. Desde o fim de março, a gestão estadual já exonerou 2.626 servidores comissionados em diferentes secretarias e órgãos públicos. A medida faz parte de uma auditoria interna conduzida pelo governo para revisar estruturas administrativas, cargos de confiança e despesas operacionais em diversas áreas da administração estadual.

O movimento ganhou força nos últimos dias e atingiu diretamente setores estratégicos da gestão pública. Apenas nesta segunda-feira (18), mais de 200 funcionários foram dispensados em uma nova rodada de cortes publicada oficialmente pelo governo estadual.

A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi a pasta mais impactada na nova etapa da reestruturação. Ao todo, 62 servidores perderam seus cargos, incluindo superintendentes, coordenadores e integrantes de áreas técnicas e administrativas. A medida provocou forte repercussão nos bastidores da secretaria, especialmente por atingir setores ligados ao planejamento e execução de programas voltados ao interior do estado.

Na área da Saúde, os cortes também chamaram atenção. A Secretaria de Estado de Saúde e a Fundação Saúde somaram 53 exonerações, afetando equipes administrativas e cargos de chefia. A redução ocorre em um momento considerado sensível para o setor, que ainda enfrenta desafios relacionados à gestão hospitalar, filas de atendimento e reorganização de unidades públicas.

Além das secretarias, a operação de enxugamento atingiu importantes órgãos estaduais. Detran, Procon, Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e RioPrevidência também tiveram gabinetes e assessorias reduzidos. Em alguns setores, servidores relataram esvaziamento de departamentos inteiros e incerteza sobre futuras mudanças estruturais.

A Secretaria de Fazenda foi outro foco relevante da nova fase da auditoria. O órgão registrou 27 exonerações, incluindo auditores fiscais, chefes regionais e ocupantes de cargos estratégicos na administração tributária do estado. A movimentação ocorre em meio à troca no comando da pasta, marcada pelo retorno de Guilherme Mercês à chefia da secretaria.

Mercês reassume o posto após a saída de Juliano Pasqual, que comandava a Fazenda durante a gestão do governador Cláudio Castro. A mudança ocorre em um cenário de tensão política e administrativa, agravado pelo fato de Pasqual ter sido alvo recente de uma operação da Polícia Federal relacionada à investigação de supostas fraudes fiscais.

Nos bastidores do Palácio Guanabara, a avaliação é de que a auditoria deve continuar provocando novas mudanças nos próximos dias. Integrantes do governo afirmam que a Casa Civil e a Secretaria de Estado de Governo seguem revisando contratos, cargos e estruturas internas com o objetivo de reduzir despesas e reorganizar áreas consideradas inchadas.

A expectativa é que novas exonerações sejam publicadas em futuras edições do Diário Oficial, ampliando ainda mais o alcance da reestruturação administrativa. O governo estadual, no entanto, sustenta que as medidas fazem parte de um processo técnico de revisão da máquina pública e têm como objetivo aumentar a eficiência da gestão.

O cenário de cortes vem gerando preocupação entre servidores e sindicatos, principalmente diante da possibilidade de novas dispensas em áreas estratégicas. Ao mesmo tempo, aliados do governo defendem que a revisão administrativa pode contribuir para maior controle dos gastos públicos em meio aos desafios fiscais enfrentados pelo Estado do Rio de Janeiro.

Com a continuidade da auditoria, o ambiente político no estado permanece em alerta, enquanto diferentes setores acompanham os impactos das mudanças sobre o funcionamento da administração pública fluminense.

JORNAL NITERÓI