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Jessé, o Cantor de Niterói: Uma Voz que Resonou Brasil a Fora

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Niterói, cidade berço de talentos, viu nascer Jessé Florentino Santos, um dos ícones da música brasileira. Jessé, como era carinhosamente conhecido, destacou-se não apenas por suas composições, mas também por sua voz potente e presença marcante nos palcos nacionais. Nascido em 25 de abril de 1952, na Travessa Henrique Castrioto, no bairro da Engenhoca, sua trajetória musical deixou marcas profundas na cena artística do país.

Os Primeiros Acordes em Brasília:

Apesar de ter nascido em Niterói, Jessé mudou-se para Brasília aos seis anos, seguindo seu pai que assumiu um cargo público na capital brasileira. Aos treze anos, o cantor começou a desenvolver seu dom musical, influenciado pela formação cristã na Igreja Presbiteriana. Seu envolvimento com a música foi além das igrejas, formando seu primeiro conjunto aos quatorze anos e tocando contrabaixo nos bailes da cidade.

Os Passos em São Paulo e o Reconhecimento Internacional:

Em 1974, Jessé e seus amigos partiram para São Paulo, onde atuou como crooner em boates e integrou grupos como Corrente de Força e Placa Luminosa. Sua versatilidade musical o levou a gravar em inglês nos anos 1970, sob os pseudônimos de Christie Burgh e Tony Stevens. Este último ganhou destaque com a música “If You Could Remember,” gravada para a novela “Tchan – A Grande Sacada” da extinta Rede Tupi.

O Estrelato nos Anos 80:

Foi na década de 80 que Jessé conquistou definitivamente seu espaço na música brasileira. Em 1980, sua participação no Festival MPB Shell, da Rede Globo, com a música “Porto Solidão,” lhe garantiu o prêmio de melhor intérprete. No mesmo ano, sua apresentação no programa Fantástico com “Voa Liberdade” consolidou sua posição nas paradas de sucesso. O Festival MPB Shell o consagrou novamente em 1981 com a música “Estrela Reticente.”

O álbum “Jessé Volume 3” (1982) trouxe a marcante “Solidão de Amigos,” e em 1983, no XII Festival da Canção OTI, em Washington, Jessé recebeu prêmios por “Estrela de Papel,” incluindo melhor intérprete e melhor arranjo.

Os Anos 90 e a Busca pela Autenticidade:

Nos anos 90, Jessé enfrentou desafios com as gravadoras, recusando-se a seguir o caminho do sertanejo imposto pela RGE. Criou seu próprio selo, Luz, e lançou o disco “Raízes” (1992), destacando-se pelas músicas “Raízes,” “Tudo Que Se Quer” (gravada com sua filha Vanessa), e “Canto Porque Tenho Vida.”

O Trágico Adeus a uma Voz Inesquecível:

A vida de Jessé foi interrompida abruptamente em 29 de março de 1993, aos 40 anos, em um trágico acidente automobilístico. O cantor dirigia a caminho de uma apresentação em Terra Rica, no Paraná, quando seu carro capotou em uma curva. O impacto resultou em traumatismo craniano, levando à perda da vida de Jessé e da filha que sua esposa, Rosana Kozzer, carregava.

Legado e Imortalidade Musical:

Jessé, embora não tenha recebido os louros da crítica especializada, deixou um legado musical marcado por sua voz potente e suas composições tocantes. Gravou 12 discos ao longo de sua carreira, cada um representando uma parte de sua jornada musical única. Sua passagem pela música brasileira é eternizada através de músicas como “Porto Solidão,” “Voa Liberdade,” e “Solidão de Amigos,” que continuam a emocionar os ouvintes até os dias de hoje.

A voz inesquecível de Jessé ecoa pelos corações dos que o admiravam, deixando para trás um legado que transcende o tempo e as gerações. Niterói, cidade que viu seu nascimento, tem orgulho de ser parte da história desse artista singular, cuja música continua a inspirar e emocionar.