• qui. jan 8th, 2026

Influenciadores são detidos por pesca ilegal em reserva ambiental em Niterói

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Agentes ambientais e policiais militares detiveram, em Niterói, dois influenciadores digitais após flagrante de pesca irregular de caranguejos dentro de uma área de proteção ambiental. A ação ocorreu em uma reserva considerada sensível do ponto de vista ecológico, onde a coleta de espécies e a interferência humana são proibidas por lei.

O caso chamou a atenção não apenas pela prática em si, mas pelo fato de que os dois detidos documentavam a atividade em vídeos destinados às redes sociais. A busca por conteúdo, segundo as autoridades, acabou se sobrepondo às normas de preservação ambiental, levando os jovens a desrespeitar legislação que protege ecossistemas frágeis e espécies nativas.

De acordo com os agentes que conduziram a abordagem, os influenciadores estavam no interior da reserva quando foram surpreendidos enquanto capturavam caranguejos em área de manguezal. Esse tipo de biótopo desempenha papel fundamental na manutenção da biodiversidade, funcionando como berçário para diversas espécies aquáticas e contribuindo para o equilíbrio de sistemas costeiros.

No momento da chegada da equipe de fiscalização, os dois tentavam registrar o ocorrido com câmeras e celulares, o que acabou evidenciando a intenção de transformar a pesca em conteúdo compartilhável. A prática é proibida justamente pela necessidade de resguardar espécies e evitar a degradação do ambiente. A conduta dos jovens contrariou normas específicas que regem unidades de conservação e áreas de proteção permanente.

Após a detenção, os influenciadores foram conduzidos à delegacia local, onde prestaram depoimento. Eles responderão por crimes ambientais, entre eles pesca predatória em área protegida. Autoridades presentes na operação destacaram que a ação representa uma advertência sobre os riscos de banalização de práticas ilegais em busca de notoriedade nas mídias digitais.

A legislação ambiental brasileira é clara ao estabelecer que reservas e unidades de conservação têm regras rígidas quanto ao uso e à exploração de recursos naturais. A pesca em áreas restritas, especialmente em ambientes como manguezais e restingas, é vedada justamente pela vulnerabilidade desses ecossistemas. A captura de caranguejos, sem a devida autorização, pode comprometer a reprodução de espécies e impactar a cadeia alimentar local.

O episódio também levantou questionamentos sobre a responsabilidade de influenciadores ao produzir conteúdo ligado à natureza e ao meio ambiente. Especialistas em direito ambiental e comunicadores destacam que figuras públicas detêm poder de influência sobre públicos amplos, o que exige maior cuidado ao abordar temas relacionados a práticas que envolvem o uso de recursos naturais. A falta de consciência ecológica, segundo esses especialistas, pode gerar consequências graves e incentivar seguidores a imitarem condutas ilegais.

Fiscalizadores reforçaram, durante a ação, a importância da educação ambiental e do respeito às normas que regem áreas protegidas. Eles afirmaram que a preservação de habitats como manguezais é essencial para garantir serviços ecossistêmicos, como proteção costeira, filtragem de poluentes e suporte à biodiversidade. A atuação em contexto ilegal, além de ameaçar a fauna e a flora, inviabiliza o trabalho de conservação desenvolvido por órgãos públicos e organizações da sociedade civil.

Enquanto as investigações prosseguem na esfera criminal e administrativa, a detenção dos influenciadores em Niterói serve como um alerta sobre os limites entre produção de conteúdo e responsabilidade ambiental. Para autoridades e especialistas, a conciliação entre visibilidade digital e respeito à legislação só será possível com mais informação, orientação e compromisso com práticas sustentáveis, sobretudo em ambientes ecologicamente frágeis.