Pressão sobre Infantino aumenta após ex-craques cobrarem mudanças na Fifa
Manifesto assinado por nomes de destaque do futebol internacional critica a condução da entidade e defende maior participação de jogadores e torcedores nas decisões sobre o futuro do esporte
A gestão de Gianni Infantino à frente da Fifa enfrenta um novo movimento de contestação. Um grupo formado por ex-jogadores de diferentes nacionalidades divulgou um manifesto defendendo mudanças na estrutura de governança da entidade e criticando a maneira como decisões estratégicas para o futebol mundial vêm sendo conduzidas.
A iniciativa é liderada pelos franceses Emmanuel Petit e Mikael Silvestre e reúne nomes conhecidos do esporte internacional. Entre os participantes estão Bixente Lizarazu, Robert Pirès, Didier Drogba, Emmanuel Adebayor, Juan Sebastián Verón, Claudio Pizarro, Lucy Bronze e Briana Scurry.
Um dos aspectos que chama atenção na composição do movimento é a ausência de brasileiros entre os signatários. Apesar da tradição do país e de sua influência histórica no futebol mundial, nenhum ex-jogador ou atleta brasileiro aparece na relação divulgada pelo grupo.
O principal argumento apresentado no manifesto é que jogadores e torcedores perderam espaço nas decisões tomadas pelas instituições responsáveis pela administração do futebol. O movimento considera que esses grupos, diretamente ligados ao desenvolvimento e à popularidade do esporte, deveriam participar de maneira mais efetiva das discussões sobre mudanças estruturais e comerciais.
As críticas surgem em um período de maior tensão política dentro da Fifa. A condução de projetos estratégicos pela atual presidência tem provocado divergências entre dirigentes, federações e representantes de diferentes setores do futebol.
Um dos pontos recentes de desgaste envolveu uma proposta para a criação de uma empresa destinada à administração de ativos comerciais da Fifa, com possibilidade de participação de investidores privados. A iniciativa encontrou resistência e acabou sendo retirada diante das reações contrárias.
O ambiente de insatisfação não está limitado aos ex-atletas. Confederações continentais também demonstram divergências em relação aos rumos da administração. Uefa, AFC e Concacaf avaliam movimentos de contestação à liderança de Infantino, enquanto a Confederação Africana de Futebol mantém uma posição mais favorável ao dirigente.
Entre os nomes que defendem o presidente da Fifa está Samuel Eto’o. O ex-atacante camaronês, atualmente dirigente do futebol de seu país, relaciona parte das críticas à proximidade do próximo processo eleitoral da entidade.
Eto’o também sustenta que a administração de Infantino ampliou investimentos e oportunidades para países que historicamente tiveram menor influência no futebol internacional. Em relação às propostas comerciais discutidas internamente, o ex-jogador defende uma participação mais ampla das associações que integram a Fifa antes da tomada de decisões definitivas.
Infantino ocupa a presidência da entidade desde 2016 e pretende permanecer no cargo em um novo ciclo. Com a aproximação da eleição presidencial, prevista para 2027, as articulações políticas devem ganhar intensidade e aumentar a disputa por apoio entre federações e confederações.
A entrada de ex-jogadores de projeção internacional no debate amplia a dimensão da pressão sobre a atual administração. O manifesto também reforça uma discussão que vem ganhando espaço no futebol contemporâneo: a necessidade de equilibrar interesses comerciais, decisões institucionais e a participação daqueles que estão diretamente ligados ao jogo.
Em meio às divergências, a Fifa entra em um período decisivo, marcado por disputas políticas e cobranças por maior representatividade. A movimentação dos ex-craques acrescenta um novo componente ao cenário e aumenta a pressão por mudanças na condução do futebol mundial.
